COMO VISITAR O PALÁCIO DE VERSAILLES?

25 Dec 2016

|

Mariana H.

Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que vi Versailles. Era um dia de muito sol e os portões de ouro brilhavam insanamente. Fiquei muito impressionada pela grandeza do que estava por vir e também pela longa fila de pessoas que circundava o local. Depois que me acostumei com a visão dos portões, a fila, os ônibus de excursões, o pátio central/estacionamento, tudo isso começa a chamar atenção. A essa hora eu já devia estar acostumada com os pontos turísticos lotados da Europa, mas para mim é sempre muito esquisito dividir a visita de um local histórico importante com hordas de turistas malucos, parece desrespeitoso. Tive a mesma impressão no Coliseu, na Capela Sistina e Palácio de Topkapı. Sabe aquele tipo de pessoa que não sabe do que está tirando foto, mas tira mesmo assim por que todo mundo tira? Em lugares assim é sempre bom esquecer um pouco a câmera e focar no presente. Pesquise sobre o local antes de visitá-lo, leia, se informe. Versailles merece isso. A propriedade é imensa e formada não só pelos famosos Palácio e Jardins, mas pelo Grand Trianon, Petit Trianon, o pequeno vilarejo da Rainha Marie Antoinette, o Château de Marly, entre outros. São tantos detalhes e tanta história num lugar só que tivemos que ficar espertos para não perder muito tempo em um local só. 

O Palácio de Versailles começou a ser construído em 1631 como um alojamento de caça real, mas o rei Luís XIV – em busca de distância do povo de Paris – transformou-o no palácio que conhecemos hoje. Ele foi inicialmente desaconselhado a contruir no local pois era formado por pântanos. O Rei, no entanto, fiel à sua forma absolutista, ignorou seus arquitetos e conselheiros e ordenou o contrário. Existem poucos palácios europeus que são tão grandes. Os intrincados tetos, pinturas de alguns dos mais famosos artistas europeus e toda a sua história serão um lembrete constante da grandeza que a monarquia francesa viveu antes da Revolução Francesa  durante a sua visita.

 

versailles-1128989_1920
11696618_10153522291975172_1531420115973456300_o
versailles-529715_1920

Tudo parece ser coberto por uma espessa camada de ouro – principalmente os cômodos que estão de frente para a entrada/rua. Fomos rapidamente empurrados pela onda de pessoas. Começando pela área amarela – a capela real – foi tudo muito rápido. Voamos pelos apartamentos do rei até chegar ao salão dos espelhos. Construído pelo mesmo Louis XIV, o salão dos espelhos era utilizado como salão de baile em ocasiões especiais. É estranho pensar que agora milhares de turistas pisam lá todos os dias. Teria sido bom ficar mais um pouco e só depois lembrei que o Tratado de Versalhes foi assinado lá, trazendo um fim oficial à Primeira Guerra Mundial (pense nisso na sua visita). 

Infelizmente, fomos encorajados a não demorar em qualquer um dos cômodos devido ao número de pessoas que vinham atrás. Quando saímos no meio da tarde a maioria das linhas tinham desaparecido. Se eu visitar Versailles novamente, com certeza deixarei o Palácio por último. Depois de comer qualquer coisa superfaturada no café dentro do Palácio, fomos em direção aos Jardins.

Os Jardins de Versailles são muito estruturados. Este estilo simétrico tornou-se tão iconicamente francês que leva o nome de “Jardim Francês” (Jardin à la française) e lugares do mundo todo tentam imitá-lo até hoje. Alguém já visitou o Museu do Ipiranga?

  

versailles-1128991_1920
parking-967545_1920
12888616_10153522295120172_8405342016117984518_o
12891719_10153522294225172_8720749203623357764_o

Nos domingos durante o verão, as fontes são ligadas de hora em hora. Louis XIV amava fontes (um terço orçamento estimado da propriedade foi dedicado ao seu sistema de abastecimento de água). Quando foram inicialmente instaladas, a pressão da água era tão baixa as fontes não podiam ser ligadas todas ao mesmo tempo. Quando o rei e a rainha passeavam pelo jardim, um jardineiro ligava a fonte mais próxima. Depois que eles passassem, o pobre jardineiro tinha que desligar a fonte e correr para a outra por onde passariam a seguir. Só para ter uma ideia do quanto esse coitado sofria, existem 50 fontes na propriedade.

 

12719197_10153522294505172_4347576923578731754_o
12891732_10153522301510172_389130789745568873_o

É difícil ser rei e viver em um palácio, e às vezes a vida no Château de Versailles era muito agitada. Louis XIV queria um lugar para fugir, apenas um pequeno palácio para ele e sua família quando a formalidade e as exigências sociais da vida na corte eram grandes demais. Assim, ele contratou o famoso arquiteto Jules Hardouin-Mansartto para criar o Grand Trianon, um belo edifício de mármore rosa. Com suas muitas colunas e janelas, o Grand Trianon é bonito e encantador. Como era seu costume, Louis XIV foi muito envolvido na concepção do edifício. O Grand Trianon também é conhecido por seus jardins elegantes e em constante mudança, com um grande número de plantas e arbustos floridos. Visitas ao Grand Trianon incluem os apartamentos do rei, com seus móveis elaborados, lustres e obras de arte. Além de Louis XIV e sua família, outros que apreciaram o Grand Trianon incluem Napoleão Bonaparte e Imperatriz Marie-Louise, e Charles de Gaulle, Presidente da França de 1959 a 1969. 

paris-1071167_1920
petit-trianon-493917_1280

Embora o Petit Trianon tivesse sido construído por Louis XV para suas amantes, Louis XVI o presenteou-o a Marie-Antoinette quando se tornou rei em 1774. O pequeno palácio se transformou em um esconderijo para a rainha, e ninguém tinha permissão de visitá-la sem ser convidado. A estrutura do Petit Trianon é bem mais privada e pessoal. Você pode visitar os quartos do Petit Trianon e o cômodo mais interessante talvez seja o quarto de Marie-Antoinette, projetado para proteger sua privacidade. Nascida na Áustria em 1755, a jovem Maria Antonia se casou com Luís XVI aos 14 anos. Quando tinha 18 anos se tornou Rainha da França e Navarra. Ela serviu como Rainha por cerca de dezenove anos, com seus últimos dias sendo gastos como prisioneira na Conciergerie em Paris, antes de seu encontro com a guilhotina em 1793.

12888552_10153522295350172_4741970691381560984_o
12045603_10153522295400172_7931457354683240213_o

Pelo caminho você vai poder dar uma olhada na Capela e no encantador Teatro da Rainha. Construído por ordem de Marie-Antoinette, este elegante teatro foi o local de óperas e outras noites de festa. Ao deixar o Petit Trianon e dirigir-se ao Vilarejo de Marie-Antoinette, certifique-se de parar no Templo do Amor, para ver sua estrutura de mármore neoclássico.

12525187_10153522300485172_1469004623302484279_o
paris-541597_1280
12898345_10153522295905172_4081269872375706251_o
12672149_10153522301135172_1729537212259007924_o
versailles-1406659_1920
paris-866156_1920

Você pode fazer toda a visitação a pé ou pegar trenzinhos que circulam a propriedade. Eu adorei visitar os palácios e jardins em Versailles, mas perderia o dia todo no Vilarejo de Marie-Antoinette (Hameau de la Reine). Foi aberto aos visitantes em 2006, e uma visita aqui permite que você veja o lado humano da rainha que tem tão péssima reputação, que passou seus dias nesse vilarejo camponês entre 1783-1787 como uma fuga das pressões da vida na corte. Para os visitantes de hoje, também é bom ficar longe das multidões no Grand Château. É tão pitoresco e pacífico que é possível entender por que Marie-Antoinette passou alguns dos seus momentos mais felizes aqui.

Como Chegar?

Provavelmente existem milhares de excursões que podem te levar do seu hotel a Versailles mas, se você quiser ir por conta própria, émuito fácil ir de Paris para Versalhes pelo sistema metrô/RER. Se você não está familiarizado com o metrô de Paris, aqui estão algumas dicas: A viagem para o Versailles começa em qualquer estação de metrô/RER em Paris. Procure um símbolo azul ou vermelho com um M ou RER (dentro de um círculo) no mapa. Você deve procurar pela Linha RER C, que faz parte do sistema de trem que corre debaixo do metrô. A RER C passa por metade subúrbios parisienses. Você vai precisar comprar um bilhete que lhe dá acesso à Zona 4 (não se esqueça de comprar a volta também). Na estação RER siga as indicações que apontam para o RER C Versailles-Rive Gauche. Todo mundo vai descer nessa estação. Procure as placas de rua que indicam a direção do Chateau (da estação você só vai precisar caminhar uns dez minutos até a entrada Palácio de Versalhes). 

FONTE: aqueleblogdeviagens.com

(Visited 85 times, 1 visits today)